O cuidado com a mulher no pós-parto

mulher

imagem Krishnendu Chakraborty

Aqui quem escreve é uma mulher em puerpério: minha filha acaba de fazer dois meses, e estou começando a me acostumar com a maternidade, que por nove meses não passava de uma espera, barriga crescendo, fome, exames médicos e cuidados para com a pequena vida que crescia em meu ventre.

Fala-se muito dos prazeres e das dores que a maternidade traz, e tudo isto faz parte da vida, e desta nova fase que toma conta da vida da mãe e do pai recém chegados. Após o nascimento, somos todos “recém”! O recém-nascido se acostuma aos pais, assim como os pais se acostumam com o neném recém-chegado ao mundo.

Mas é importante falarmos sobre o puerpério. É cruel, é desafiador, e, às vezes, solitário. A cantora Pitty menciona, em entrevista publicada no site Huffpost Brasil, a necessidade de cuidados com a mulher em seu pós-parto. A verdade é que poucas pessoas se importam com o pós-parto de uma mulher, mas é um momento crucial na saúde do bebê e da mãe.

O pós-parto é cruel, pois há dores, há o corpo voltando ao seu estado normal, há a necessidade de cuidar da criança, a amamentação, os pequenos cuidados, higiene, roupas, etc. É cruel e desafiador quando você se vê diante do filho com fome, e os seios rachados, machucados, com pouco leite para satisfazê-lo. É solitário quando você, diante destas dificuldades, é questionada sobre sua capacidade de cuidar, de alimentar seu filho, ou mesmo de tê-lo gerado com saúde.

A maternidade é machista. Sim, pasmem, mas há um machismo que parte dos profissionais da saúde, parte de seus amigos, parte de seu companheiro, e parte de você, mulher. A mulher presencia estas cenas machistas nas enfermeiras que duvidam que você esteja oferecendo o peito ao filho para amamentá-lo, nos olhares dos amigos que julgam seu filho, caso tenha nascido com algum problema, no companheiro que te observa e julga sua capacidade de cuidar daquele recém-nascido, tão frágil em suas mãos.

E todas estas cobranças são absorvidas por nós, mulheres, como obrigações que temos que cumprir para sermos as mães perfeitas dos comerciais de margarina da TV. Absorvemos o machismo escondido nas entrelinhas da maternidade. É preciso cuidar das mães em puerpério. É preciso cuidar das “mães solteiras” em puerpério,
principalmente. É necessário apoio, cuidados, acompanhamento, compreensão, e nelas
sobre cai uma carga infinitamente maior de cobranças, de questionamentos e pressão. Se esta fase é difícil estando no aconchego do seu lar, com seu marido/companheiro, ou seus pais, imagine sozinha, rejeitada pelos que amou, ou pelo próprio pai da criança. É preciso que julguemos menos, que romantizemos menos, que tenhamos pés firmes na realidade cotidiana.

É preciso que respeitemos as mulheres que recusam a maternidade: este é um direito
irrevogável de toda a mulher, pois a felicidade de uma mulher não se resume a ter filhos ou não.

Sobre a minha experiência com a maternidade? É cruel, é desafiadora, é o que eu queria.

Escrevo este texto enquanto minha filha dorme ao meu lado, pouco depois de chorar por uma hora enquanto sofria com as cólicas. E olho para ela como quem olha para seu tesouro mais precioso, esperando que acorde e que tudo comece novamente, até o primeiro passo, até a  primeira palavra proferida, até que venha cada fase da vida, que não é fácil, mas que caminharemos juntas pelos próximos anos de nossas vidas.

 

Priscila Silva é responsável pela edição da Revista Escrita Pulsante e empresária na empresa de tradução Das Wort Traduções e Assessoria Ltda.

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