Já comparou a vida a uma montanha russa?

Por Reinaldo Dias

Guernica - Pablo Picasso

Guernica – Pablo Picasso

Já comparou a vida como uma montanha russa? Não. Então, prepare-se, puxe da trava de segurança de seu carrinho que é o viver e embarque em uma aventura cheia de surpresas e estarrecimentos, eis o convite que faço, para a leitura do livro ”A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa”, de Nicolau Sevcenko. Depois dessa viagem, você não verá o mundo da mesma maneira.

O historiador desenvolve o livro em três capítulos procurando estabelecer uma confluência de um passeio em uma montanha russa e do viver em um mundo globalizado, portanto, o primeiro capítulo é referente à ascensão da elite europeia ocidental entre os séculos XVI e meados do XIX. Já a descida, o momento do frio na barriga, consiste na revolução científico-tecnológica a partir de 1870, já o terceiro capítulo é o momento da tensão, o loop, o desfecho desse giro culmina coma eclosão de duas guerras mundiais.

Vivemos em um planeta conectado, informações são transmitidas em questão de segundo, através de conexões continentais, nesse mundo globalizado, Sevcenko questiona, qual o nosso papel no mundo? Protagonista de um drama ou de uma comédia sem graça? Afinal, empresas que monopolizam a economia aproveitam-se dessa integração global para tirar vantagens do processo in(ex)clusão social, perceba “que uma empresa pode ter sua sede administrativa onde os impostos são menores, as unidades de produção onde os salários são os mais baixos, os capitais onde os juros são os mais altos e seus executivos vivendo onde a qualidade de vida é mais elevada”.

reinaldo2Agora começa a descida da montanha, com as ascensões do governo de Margaret Thatcher na Inglaterra e Ronald Regan nos Estados Unidos, responsáveis pela retomada do liberalismo, mas agora com novas roupas, desarticulando as organizações sindicais, permitindo o livre comércio, sob o anátema “greedisgood”, ou seja, a primeira ministra da Inglaterra sabia o que estava fazendo com o enfraquecimento social; o individualismo subjetivo ganha força e com  ele a sociedade do consumo, essa tendência só potencializa as disparidades sociais, afinal quem é mais rico, fica mais rico, quem é mais pobre, luta para não ser miserável. Organizações para manter esse sistema econômico são criadas: FMI e o BM, ambas auxiliam países a prosperarem como no caso da Tanzânia, pois era um país em que o produto interno bruto estava caindo e com altas taxas de analfabetismos, logo o FMI, recomendou que “os hospitais públicos passassem a cobrar taxas de consulta e internação”, infelizmente o país passava por um surto de aids, resultado da história, 1,4 milhões de pessoas esperam a morte.

O neoliberalismo não é mais um sistema econômico, mas sim um estilo de vida, que busca o acúmulo de capital em detrimento da qualidade de vida, sob o anátema “ greedisgood”, ou seja, ter “ganância é bom”, milhares de pessoas trabalham em situações aviltantes em busca da moeda da sorte. Como nada se perde, tudo se transforma, nesse contexto de trabalho a indústria do entretenimento ganha força para “propiciar a seres solitários, exauridos e anônimos a identificação com as sensações… do mundo glamouroso das comunicações”. Nada melhor do que um dia de trabalho estafante e chegar em casa,  assistir àquele filme predileto, não é!?

Embora surjam movimentos de contra cultura, logo são absolvidos pelo sistema, pois em uma cultura que está centrada no mercado, valores humanos não são valorizados, e tudo vira cultura pop.

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