O Homem que sabe: uma breve história

Por Reinaldo Dias

Já parou para pensar os porquês de os macacos não continuarem evoluindo ao longo da história?sapiens_livro

Afinal, reza a lenda que nós descendemos desses primatas, simplesmente, havendo uma espécie intermediária entre macacos e homens. Você sabia que houve cincos espécies de Homo (homens) no passado, e que o Sapiens foi a que permaneceu. Ou como o homem, “um primata insignificante”, do reino animal tornou-se o “senhor do mundo”! Essas e outras questões são respondidas no livro “Sapiens: Uma breve história da humanidade”. Ao longo das 459 páginas, Yuval Noah Harari, doutor em história pela Universidade de Oxford e professor da Universidade de Jerusalém, à luz da ciência, história e biologia, aborda, com uma narrativa clara e objetiva, pontos da evolução humana no decorrer dos séculos.

Harari debate com bastante eloquência o surgimento do gênero Homo da espécie Sapiens no planeta Terra, o primeiro Sapiens surgiu na África Ocidental, há 200 mil anos, mas só conseguiu formular uma linguagem ficcional, em suma, há 70 mil anos, e a este processo o israelense chama de revolução cognitiva.

Graças a essa revolução o homem aprendeu a imaginar, isso foi à chave que propiciou ao homem mecanismos para se organizar, dominar e conquistar territórios. Por meio da ilusão, o Sapiens uniu-se em bandos, grupos e em comunidades. Segundo Harari, foram três elementos ficcionais que possibilitou ao Sapiens a organizar-se em grupos, o processo “se baseia em mitos partilhados que só existem na imaginação coletiva”.

A imaginação possibilitou a união do homem, mas trouxe pontos negativos à ideologia: o capital. Por meio do imaginar, o homem adquiriu desejos que são controlados e manipulados por mitos dominantes, desde uma simples salvação eterna a um desejo de raça pura. Deixando os mais polêmicos de lado, vamos imaginar algo mais corriqueiro como o “desejo popular de passar férias no exterior. Não há nada de natural ou de óbvio nisso. Um chimpanzé macho alfa jamais pensaria em usar seu poder para passar férias no território de um bando (…) vizinho”. Harari estabelece um contra ponto entre o natural e o cultural. Com essa confluência discursiva, o autor deixa evidente a manipulação comercial que há em uma simples viagem ao Hawai.

Depois da revolução cognitiva, as coisas continuaram caminhando, e veio então a revolução agrícola. Homo Sapiens bem alimentados culminaram na revolução científica, conseguintemente, ocorreu a revolução industrial e agora estamos na revolução da informação e biotecnologia.

O historiador ressalta que ainda não somos imortais e isso está longe de ser alcançado, mas ele menciona que a medicina de ponta, aquela que consegue diagnosticar um possível tumor de câncer, vide Angelina Jolie, está mais próxima do capital do que da cura, afinal de contas, “hoje, podemos mapear o DNA de uma pessoa em poucas semanas e ao custo de algumas centenas de dólares”. Com ares de Huxley, o professor de História termina o seu livro com uma indagação: “Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?”.

Reinaldo Dias é Professor da rede pública estadual paulista, formado em Letras, co-editor da Revista Escrita Pulsante , cronista e colaborador em Tecidos Livrescos.

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