Heteronormatividade nas escolas reprime a identidade de gênero

Por Beatriz Sant’Anna

Aluna do Ensino Médio

hetero1A sociedade e as pessoas que a compõe estão sempre em constante transformação. Novos conceitos e, como consequência, novos preconceitos surgem com tais transformações. Gerações mais novas nascem em um mundo diferente daquele que seus pais conheceram; um mundo cada vez mais plural, e, naturalmente, os mais novos se adaptam melhor a esses novos conceitos. Questões como gênero e sexualidade são vistas pela geração de jovens e adolescentes de uma maneira mais humana e compreensiva. O fato é que esse grupo de pessoas está mais aberto a discussões sobre tais temas. A escola (instituição social), no entanto, ainda oferece resistência a apresentar uma postura de respeito para com os estudantes da comunidade LGBTQIA*, pois visa manter o padrão heteronormativo da sociedade, reprimindo a identidade de gênero e a sexualidade de seus alunos, o que faz com que parte desses abandone o ambiente escolar antes de concluir os estudos.

Entre os alunos há uma tênue divisão entre três grupos: os alunos transgressores que apoiam a comunidade LGBTQIA e visam mudanças na sociedade; os indiferentes – que não se posicionam politicamente – e os alunos conservadores, sendo que esse conservadorismo pode se manifestar como uma simples oposição ideológica não-violenta, ou, em casos extremos, violência de diversos tipos contra colegas e professores que não se adequam aos padrões sociais. A boa notícia é que cada vez mais o grupo de alunos transgressores ganham forças e mais visibilidade é dada para pessoas LGBTQIA e de outras minorias sociais. Os debates promovidos em sala de aula e a postura igualitária, que deveria ser tomada pelos professores e diretores, ajudam a reduzir o preconceito.

Aceitamos o mundo tal qual nos é apresentado, ou seja, se desde criança aprendermos a conviver e respeitar a diversidade, sem imposição de padrões ultrapassados previamente estabelecidos, é possível chegar mais perto da igualdade de direitos para toda a população. Saindo agora da forma dissertativa e me aproximando um pouco mais, como pessoa integrante dessa nova geração pode afirmar que o preconceito é, sim, derrubado com a convivência e conhecimento. Ao longo de anos ao lado de colegas LGBTQIA, negros, pobres, entre tantos outros; fui capaz de eliminar, reduzir ou, pelo menos, controlar certos preconceitos dentro de mim mesma, e acredito que é possível aumentar o alcance desse processo com a inclusão de maneira respeitosa desses grupos minoritários nas escolas. Um problema que percebo mesmo entre grupos minoritários é a falta de visibilidade para pessoas bissexuais, pansexuais e com identidade de gênero não binária.hetero2

Acredito que essa postura é consequência de um infeliz resquício de heteronormatividade dentro de grupos que, supostamente, se opõe a esses padrões, manifestado pela suposta necessidade de se definir com apenas uma de duas opções (heterossexual ou homossexual, homem ou mulher, feminino ou masculino). É preciso conhecer e discutir mais sobre as pessoas LGBTQIA e seus direitos, não apenas para uma parcela da comunidade, mas para todas. Às pessoas que controlam instituições sociais como as escolas ou possuem alguma influência sobre as mesmas, peço que entendam: se a nossa geração é o público alvo, vocês devem decidir o que será ou não discutido com os estudantes através dos nossos conceitos, da nossa forma de ver o mundo e da realidade da nossa geração. O mundo não é mais o mesmo que era quando vocês tinham a nossa idade, e não será mais o mesmo quando nós tivermos a idade de vocês. Escutem-nos, pois nós temos opinião e muito a oferecer para a sociedade. Falar sobre sexo, sexualidade e gênero, para boa parte da nossa geração, já não é mais um tabu. E, é preciso discutir esses temas de maneira seria, respeitosa, aberta e conscientizadora para que, no futuro, façamos uma sociedade mais igualitária. Não é um problema ser diferente, e ser um jovem com opinião e com respeito à diversidade também não, na verdade, é a solução. *LGBTQIA = Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros, Queer, Intersexos, Assexuais e Aliados (simpatizantes).

Contato santanna.bia03@gmail.com

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