“À ‘comunidade’ acadêmica” e “Raízes do Brasil”

universidadeEntre outros títulos, : “Quem vai parar um “Doutor”?, “Universidades são latifúndios”, “Doutores são corruptos”

Por: Um Universitário

Ingressar na universidade brasileira é uma vontade de muitos estudantes, principalmente na pública. É o início da solução de alguns problemas, inclusive históricos, quando os alunos fazem parte da população negra, índia e pobre, isso é fato. O ritual de recepção aos novatos na universidade, muitas vezes desagradáveis, não é nada – há quem diga legitimamente o contrário – comparado à corporação acadêmica que o estudante enfrenta. São ninhos e nichos construídos e reconstruídos por professores e alunos continuamente.

Os corruptos tão criticados no Brasil em suas relações particulares estão materializados também nas universidades brasileiras. As ligações são filigranas que saltam aos olhos, alguns discentes demonstram impaciência, discordância e denunciam, mas são casos raros, porque a perseguição ocorre cedo ou tarde em salas burocráticas, ao ponto de matarem o futuro universitário de muitos discentes.

A “universidade” é uma ilha social. Sabemos que ela contribui muito em renovações, pesquisa, proporciona reflexões e pensamentos para transformar o Brasil, sobretudo, professores que não compactuam com a corrupção dos glutões acadêmicos intocáveis.

Se em letras garrafais “pixam” nos muros ou nos banheiros acadêmicos frases como: “Narciso, contenha-se, um dôtor está presente!”; “Aqui jaz o futuro do Brasil!”; “Universidades são latifúndios!”; “Universidade pública e democrática é o caralho!”; “Prioridades: séquito universitário e afins” e “Balcão de negócios!” são esporros de manifestações legítimos.

O caminho: graduação, mestrado e doutorado é uma década de estudo que pode ser percorrida em meio a pedras ou com conversas ao pé do ouvido de um padrinho, mais conhecido como “Doutor…”, que agride a democracia e está longe do educador comprometido em mudar o país.

José de Souza Martins alertava: “Não é raro, na própria Universidade, que os professores tenham seus protegidos no setor administrativo, proteção que se transforma em facilidades e benefícios que outros não têm.” Ampliando o debate, Michel de Certeau menciona também que: “A universidade é gerenciada por uma administração anônima e saturada – corpo enorme, tomado pela inércia, opaco a si próprio”.

Não é exagero dizer que a universidade brasileira é infectada por patriarcas que administram suas clientelas acadêmicas, agindo semelhante ao velho conluio da causa própria ou servindo a um bando. A patifaria é cooptando discentes e funcionários, havendo diferentes coações. Laboratórios, grupos de pesquisa e de estudo, seleções de mestrado e doutorado mais parecem trabalhos de meeiros onde todos ganham. Há muitos reféns nesse assalto burocrático institucionalizado, raros denunciam declaradamente e quando isso acontece, a corporação acadêmica é defendida entre os pares que permanecem intocáveis.

A proporção das discussões é extensa, a “comunidade” acadêmica é um laboratório vivo com feixes e relações de interesse. Os “rei-tores” são um exemplo e dariam outro texto (um livro!) de reflexões, do mesmo a universidade segregada e branca.

Os discentes afetados por essa trama fétida de paternalismo universitário expressam um universo de reações, demonstram formas variadas de não compactuarem, mas a oposição declarada gera perseguições! Diferentes formas de reações precisam ser construídas, onde uma ouvidoria estudantil não deve ser descartada, mas em muitos momentos ocorre de forma clandestina.

Os reinos de hipocrisias instalados nas instituições brasileiras precisam ser denunciados.

Aos doutores e seus asseclas: vocês são também o mal deste país e nós não estamos alheios aos seus ditames.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s