VocÊu

Por Reinaldo Augusto

O que é o nome próprio? Um substantivo, uma substância ou é um amontoado de letras que ganham sentido ao serem pronunciados. Atribuímos valores em objetos tecnológicos. Atualmente, o mundo está há um toque de nossos dedos, acervos de museus estão há uma tela de distância da página do facebook. Este mundão sem porteira ganhou vários nomes: aldeia global, era da informação, mundo globalizado, todos epítetos para classificar a circulação de informações, mas o que fazemos com tantas informações? Ela, a informação, nos torna humanos melhores, mais éticos e moralmente justos. Diante de tantas mudanças tecnológicas, alguém se preocupou com o “eu”?like

Exemplos do meu cotidiano demonstram que o “eu” tem muita importância, em detrimento do outro, o “você”. Certa feita, depois do happy hour, sim, porque a minha hora feliz é sempre depois do trabalho; eu gosto mais da palavra tripalium, afinal, realmente, alguns trabalhos são objetos de tortura, mas enfim, lá estava eu, a caminho de casa, quando não mais que de repente, observo uma mulher arremessar uma pedra em direção ao ônibus, pois o danado não parara no ponto. Felizmente, ao se recompor, a distinta senhora percebeu que o coletivo não havia parado porque havia outro logo atrás.

Felizes são os publicitários, pois vivem em terra de egos fragilizados os quais não suportam frustrações, e o capital rola solto, afinal, não há nada melhor que se frustrar hoje e comprar amanhã. Evoé consumismo!

Devido a diversos fatores, a palavra direito e desejo ganham o mesmo significado. Ainda em minha odisseia para retornar ao meu lar, tive outra experiência de um ego não socializado, quando estava no metrô, entre uma menina ouvindo música sem o fone de ouvido, logo, aquele som propagava-se em todo o vagão, mais uma vez temos uma mistura de significados: ela estava com o desejo de ouvir música, mas o fato dela não ter um fone de ouvido não a impediu de ouvir aquele som, logo, o desejo dela tornou-se um direito de escutar um som. Naquele momento comecei a pensar como o trabalho era um lugar legal, afinal, eu queria permanecer no meu direito de ficar em silêncio de não ouvir um gênero do qual eu não gosto.

Enfim, o hedonismo está presente a cada passo e em todas as esquinas de nossas vidas. Vivemos uma ditadura da felicidade: não sofra, não chore, toma remédio para parar de sofrer, mas sofremos devido a quê? Em relação ao outro ou às expectativas que o outro nos atribuiu; se sofremos pelo outro, logo somos o outro, e não é fácil estabelecer o limite do eu e o tu, afinal, o eu só existe por se opor ao tu, esse mal estar social, uma angústia que corrói o peito, alastra-se como erva daninha, sintomas de uma sociedade de ego fraco, a qual estabelece o critério de validade por meio do “like”; em tempos de facebook, quem ganha like é rei!

Um comentário sobre “VocÊu

  1. Ô Rei, Parabens! Cara, achei legal seu texto. Nos faz pensar na questão do outro, esse problema entranhado em nossos egos e na miopia da nossa visão em achar que o problema consiste no outro, e, não, no eu. penso que uma boa leitura do Tzvetan Todorov, nos ajudaria bastante a entender melhor essa problemática.

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