Crônica do Dia 05

Por Marcos Improta

texto marcosAs estrelas brilham sem saber. O sol arde e aquece a pele do trabalhador que vai pegar no batente. O vento alivia o calor e a natureza segue brindando em nossos corpos a tal existência que lhe dá sentindo. Ele – o homem – sabe de todas as suas dificuldades. Pára pra pensar, podia ter ficado em casa. Não teve acesso a uma educação que o libertasse de seu opressor. Mal comeu sua quentinha e quase se recusa a tomar o café que a empresa garante todas as manhãs, pensando se era correto encher o bucho e em casa faltar tudo. Mas os pecados lhes são perdoados, por Deus e por ele. Se não comer não trabalha, se não trabalhar não ganha dinheiro. Assim as coisas pioram.

O que impulsiona ele chegar ao fim do dia é um único pensamento: “vou levar doce para minha filha”. Saca o dinheiro na lotérica. Sorrindo como um campeão caminha para casa.

Enquanto enfia a chave no cadeado do portão, a filha corre ao seu encontro. “Papai, papai, trouxe meu doce?” Ele mete a mão do bolso, tira alguns queimados e entrega ao amor da sua vida. Ela olha maravilhada e com as duas mãos prontas para abraçá-lo, nem imagina que colocara uma medalha no pescoço daquele homem que passa o dia se sentindo um perdedor.

A história acaba. A menina ganhou seu doce. O pai encontrou algum sentido para suportar as chibatadas da vida.

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