Reza bárbara

Por Daniel Minchoni

minchoni

Arte: Joca Soares

 

portar uma barba como despencam cascatas de teu ventre
uma barba de noite e estrelas nos olhos das crianças
um monte de pelos filosóficos à provocar beicinhos e muxoxos nos shopping centers da vida
ter uma barba como a correnteza dos rios
como cavalgar búfalos sob o cruzeiro do sul
escalar o everest só pra se sentir na avenida paulista, no inverno, spray na mão
uma barba tal qual ouvir o som da terra, mesmo que de mentirinha
sabe se saltar dum penhasco na coragem covarde
e descobrir todas as fissuras da sua linha do amor acarinhando meu pau, rígida e entumecida como minha linha da vida
ter uma barba como voam coiotes por sobre muros
revoluções capitalistas, falhas na matrix, o levante
como aqueles que conseguiram mostrar os dentes pro mundo
uma barba para quem sabe a dor e a delícia de ser pirata, bárbaro ou quase isso
uma barba que, por falar em vikings, prove nunca ter vomitado naquele vai e vem do barquinho no playcenter
uma barba como teve joana d’arc, frida kahlo, maria bonita, geni, espertirina e todas as mulheres que amei
uma barba perseguida pela inquisição refúgio de mouros argelinos palestinos sertanejos catalães
uma barba como tradutora, por amor, do meu grito de silên cio.

 

Daniel Minchoni é poeta.

Você pode conferir mais sobre suas obras nos links:

http://danielminchoni.tumblr.com/

https://soundcloud.com/danielminchoni/homo-sapiens-remix-freak

 

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