Catarse

Por Fernanda Fernandes

Entre futilidades, contradições e purificação.

Foto de Fernanda Fernandes

Foto: Fernanda Fernandes

Sentada à beira do Rio Sena, ela olhava para a cidade. Em meio ao caos invisível, ela procurava a tranquilidade e a corrente do rio a ajudava à encontrar repouso.

Ele chegou, abraçou-a por trás, sentou ao lado dela e ficaram os dois a olhar a cidade luz. Ficaram lá um pouco escutando o silêncio e os passos das pessoas que corriam à beira do Sena.

O frio que sempre esteve presente foi congelando suas pernas, então saíram e andaram em busca do calor da caminhada. Ele reclamava que ela estava quieta e ela nada respondeu.

Os Bouquinistes do Sena estavam lá como sempre, como se não houvesse inverno, como se não houvesse a tensão dos atentados que aconteceram ou dos que podem acontecer. É como se fosse normal ter tanta beleza e história junta numa só capital.

E o casal continuava caminhando porque a caminhada ajudava a esquentar o corpo e o coração. Acharam um café, beberam, comeram, trocaram carinhos, ideias, se estranharam, ela não sabia que ele brincava e ele não sabia que ela acreditava na piada.

Saíram e foram possuídos pela magia de estar em frente à Sorbonne, em pleno coração do Quartier Latin. Naqueles bancos onde milhares de pessoas já sentaram, eles ficaram alguns minutos a contemplar aquele belo edifício. Sim, minutos, porque outra vez o frio findava seus prazeres.

Foi numa loja onde vende roupa por quilo que eles se reencontraram, o mesmo frio que os distanciava, nesse momento os fez se harmonizar outra vez. Ao escolher roupas ou mesmo falar de gostos, eles riram e trocaram elogios.

O ser humano vive de ajudar e ser ajudado; as afinidades nascem dessa coesão entre dar e receber. O frio já não a incomodava mais porque ela se sentia aquecida nos braços dele em um banco na Pont Neuf. Conversaram sobre costumes, sociedade, preconceitos, relacionamentos e sexo. Camus, Simone de Beauvoir, Channel, Hannah Arendt, Heidegger, nazismo estavam também entre os assuntos.

Paris inspira mesmo com a tensão no ar, com a indignação de um Povo que possui um hino que fala de sangue e de liberdade. Paris continua aspirando mudanças, revoluções internas e externas.

Somos todos Charlie e somos todos seres humanos que lutam por liberdade, igualdade, fraternidade, mesmo que este lema já tenha se tornado um pouco clichê e que seja até questionado inclusive pelos próprios franceses. Mas enfim… que atire a primeira pedra aquele que não for um ser humano contraditório.

En Bref, Paris é uma Catarse.

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